09 05/2016

Uma boa ideia nem sempre é a melhor ideia

 
ideia
 
Na era da velocidade das informações, vinda de todos os lados, você faz sua própria curadoria. Escolhe, curte, segue apenas aquilo que lhe convém. Apenas aquilo que interessa.
Mas será que isso é bom? Útil? A julgar pelo tempo, cada vez mais escasso,sim.
Mas será que isso nos coloca diante do novo? Do surpreendente? Das descobertas?
E quanto as ideias? Um comportamento e uma postura mais nuclear, cercada por muros, pode favorecer a mente a trabalhar em prol das boas ideias?
Afinal, de onde vêm as boas ideias?
Para tentar responder, faço um convite para sairmos da superfície.
 
Segundo Steven Johnson, no seu renomado livro "De onde vem as boas ideias", não existe, e nunca existiu, o momento EUREKA. Aquela sinapse, aquele lapso que resulta em uma boa ideia. Com uma vasta pesquisa histórica e neuro científica, Steven mostra que as ideias (boas e as não tão boas ) são resultado de uma série de interações químicas, biológicas e de experiências e vivências prévias.
 
Steven também fala da importância de se permitir e incentivar ao desconhecido. A esbarrar em opiniões, lugares e pessoas, diferentes. E em como isso moldou e trouxe à luz invenções tã improtantes no curso da humanidade: luz, carro, foguetes, descobertas e teorias físicas, e por aí vai.
 
serendip
 
 
A serendipidade.
 
O conceito de serendipidade surgiu em 1764 pelo escritor britânico Horace Walpole, a partir de um conto persa infantil chamado Os príncipes de Serendip. Na fábula, os príncipes acabam fazendo descobertas inesperadas encontrando soluções para problemas que não estavam de fato procurando, graças a uma mente aberta e observadora que os príncipes tinham.
A expressão se popularizou e serendipidade signfica, basicamente, obter ideias e soluções sem exatamente estar procurando por elas. Para tanto, você deve se deixar ao acaso, beber de diversas fontes. Sair da bolha e destruir os muros que o cercam.
E ao meu ver, isso não ajuda só a ter ideias, a achar soluções e compreender mais o mundo ao seu redor, mas também a compreender que nem toda ideia é a melhor ideia. E que é preciso planejamento.
 
O caso das encubadoras
 
Em 2004, ano seguinte ao tsunami no oceano Índico, o hospital da cidade da Indonésia de Meulaboh recebeu oito encubadoras de uma série de organizações de assistência internacional. No final de 2008 um professor do MIT, Timothy Prestero, visitou o hospital e verificou que todas as oito encubadoras estavam quebradas, vitimadas por picos de energia ou umidade tropical. Timothy concluiu que a falta de mão de obra qualificada no local era o principal motivo pelo qual as incubadoras estavam naquele estado. Após algumas pesquisas, Timothy reuniu algumas pessoas para construir encubadoras a partir de peças de automóvel. Resultado: a encubadora foi um sucesso pois aproveitava tanto  a oferta das próprias peças quanto o conhecimento local de conserto de automóveis.
 
 
Aconteceu algo semelhante aqui na Cubee. Enxergamos a possibilidade de implementar um recurso que ajudaria os visitantes dos eventos: o visitante escolheria o local de destino (ponto B) e o sistema traçaria de forma automática a melhor rota a partir do local em que ele se encontrava. No entanto, ao debater a ideia internamente e com alguns clientes, notamos que não seria bom para eles e nem tão bom assim para os visitantes. No caso dos clientes, acabava dando preferencia para alguns expositores sem estabeler nenhum critério, e no caso dos visitantes resultaria na falta de exposição a serendipidade.
 
Cabe a nós estimularmos e proporcionarmos um ambiente, seja onde e qual for, em que as ideias se encontrem, e se esbarrem.
Que as descobertas e a busca pelo novo façam parte do nosso DNA.
 

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